Projeto de pesquisa desenvolvido no âmbito do pós-doutorado do Programa Avançado de Cultura Contemporânea pela professora Cristiane Costa
INTRODUÇÃO
Interatividade, uso de múltiplas mídias, quebra da linearidade do texto tradicional. Um desafio muito maior do que simplesmente mapear as possibilidades narrativas oferecidas pelas mídias digitais é utilizá-las. Este projeto pretende ao mesmo tempo levantar essas novas estruturas narrativas e realizar uma grande reportagem sobre o amor no universo virtual desde o início concebida para publicação exclusiva em meios digitais (computadores ligados na internet, e-readers e aplicativos para celular).
Na verdade, seria praticamente impossível escrevê-la dentro da estrutura convencional de um livro impresso. Até por seu tema, a busca da alma gêmea na internet, ela se enquadra perfeitamente na investigação das possibilidades narrativas do universo virtual que se pretende fazer.
A história de P@R PERFEITO funciona como um jogo de imersão neste universo. Ela parte de vários textos produzidos por alunos de Jornalismo que, desafiados a encontrar um ângulo novo para escrever sobre o amor, combinam se infiltrar com perfis falsos em diferentes sites de relacionamentos amorosos. Com a curiosidade aguçada pelas experiências dos alunos, a própria professora resolve vasculhar estes sites e se relacionar no mundo virtual com seus personagens.
É um livro-reportagem que, desde a concepção, não foi pensado para ser publicado como livro impresso. Uma narrativa transmídia que existirá apenas num site a ser desenvolvido especialmente para abrigá-la, podendo também ser acessada por meio de um aplicativo para celulares e baixada em leitores eletrônicos.
P@R PERFEITO apresentará e analisará o discurso amoroso nos sites de relacionamentos. A busca dos personagens por sua alma gêmea, ampliando seu universo de possibilidades ao se abrir ao mundo virtual, será tão verdadeira e factual quanto uma metáfora para as chances que a narrativa tem de encontrar novos caminhos ao se transformar numa arte transmídia.
É também uma metáfora para a mudança de posição de um leitor interativo, que não aceita mais ficar esperando que as histórias se desenrolem passivamente à sua volta e decide buscar ele mesmo estabelecer novos relacionamentos, participar de novas redes.
E, com isso, construir novas histórias.
